Nos últimos anos, muitos consumidores brasileiros têm notado que o score de crédito parece subir mais lentamente mesmo após quitar dívidas, manter contas em dia e tentar adotar bons hábitos financeiros. Essa sensação não é coincidência: o sistema de pontuação do Serasa ficou mais rigoroso, detalhado e baseado em comportamento de longo prazo, o que faz com que a construção de uma boa nota dependa de constância, e não apenas de ações pontuais.
O que mudou no cálculo do score
O Serasa Score é uma ferramenta que mede a probabilidade de uma pessoa pagar suas contas em dia, com base em um conjunto de informações financeiras associadas ao CPF. A pontuação vai de 0 a 1.000, e quanto maior o número, maior a confiança que o mercado tem naquele consumidor.
Nos últimos anos, o Serasa aprimorou a metodologia do cálculo, passando a considerar uma quantidade maior de dados comportamentais. Hoje, o sistema avalia não apenas se a pessoa tem dívidas ativas, mas também como ela utiliza o crédito, o tempo de relacionamento com instituições financeiras, o volume de consultas ao CPF e até o histórico de atrasos antigos.
Em outras palavras: não basta “limpar o nome” — é preciso mostrar um histórico consistente de responsabilidade financeira ao longo do tempo.
Por que está mais difícil subir
- Histórico de crédito curto ou recente
Pessoas jovens ou que começaram a usar crédito há pouco tempo têm mais dificuldade em subir o score. O sistema valoriza o tempo de relacionamento com o mercado. Sem histórico suficiente, a pontuação cresce devagar, mesmo sem dívidas. - Quitação recente de dívidas
Pagar contas atrasadas ou negociar pendências é essencial, mas o efeito positivo no score não é imediato. O sistema leva um tempo para processar as informações e observar se o comportamento de adimplência se mantém de forma contínua. - Consultas frequentes ao CPF
Pedir crédito várias vezes em curto período pode ser interpretado como risco de endividamento, o que reduz temporariamente a pontuação. - Mudanças na metodologia do Serasa
As atualizações no algoritmo tornaram o cálculo mais preciso — e também mais exigente. Isso significa que erros financeiros do passado agora têm impacto mais duradouro, e o sistema prioriza quem demonstra estabilidade e disciplina. - Mercado mais seletivo
Com o avanço do crédito digital e o compartilhamento de dados pelo Open Finance, as instituições financeiras possuem mais informações sobre o comportamento dos clientes. O score, portanto, se tornou um reflexo mais real da consistência financeira, e não apenas do “nome limpo”.
Como melhorar a pontuação
Apesar de parecer mais difícil, aumentar o score é possível, desde que o comportamento financeiro seja consistente. Algumas práticas eficazes incluem:
- Pagar todas as contas em dia, especialmente as recorrentes (água, luz, telefone, cartão).
- Evitar solicitações de crédito desnecessárias, reduzindo o número de consultas ao CPF.
- Manter um relacionamento saudável com bancos e cartões, usando crédito com responsabilidade.
- Negociar e quitar pendências antigas, mesmo que pequenas.
- Atualizar dados cadastrais e bancários, garantindo que as informações sejam confiáveis e completas.
O segredo é a regularidade: quanto mais tempo você mantiver bons hábitos, mais o sistema reconhecerá seu perfil como confiável.
Subir o score no Serasa não é mais questão de sorte ou rapidez, e sim de consistência e paciência. O novo modelo valoriza o comportamento financeiro contínuo, penalizando oscilações e premiando estabilidade.
Essa mudança, embora pareça desafiadora, traz um lado positivo: torna o sistema mais justo e fiel à realidade. Afinal, quem realmente cuida das finanças de forma equilibrada — e não apenas “apaga incêndios” de dívidas — tende a conquistar uma pontuação sólida e duradoura.
Em suma, o caminho para um bom score não passa por atalhos, mas pela construção consciente de um histórico financeiro saudável, baseado em responsabilidade, disciplina e planejamento.

